
Há seis anos, Rodrigo/Jean/Ritchie e eu começamos o boteco aqui.
#nehnadanehnada,nehnahda.
=)
Ontem acordei muito cedo de uma noite mal dormida, tinha sonhado com meus problemas, dia chuvoso em São Paulo sabe?
Mesmo assim decidi que a quinta-feira seria um dia diferente, com a melhor das intenções.
Pra provocar o aleatório da silva, entrei numa padaria fora do meu roteiro. Pedi pao integral na chapa e café de coador ao invés do francês com espresso.
Pouco depois, em ato ousado, usei a saída do lado oposto do metrô.
Já no trabalho. A net anda de mal com o escritório. Tive que usar a conexão aberta do vizinho, o que também não é habituê.
Na hora do almoço tive reunião na casa do Lobão. Reunião na hora do almoço na casa de Lobão também não é nem um pouco comum. Lá conheci a nova canção "Song For Sampa", rock belíssimo a la Bowie.
A música foi mostrada no estúdio que ele tem nos fundos da casa, no volume ONZE. Maria Bonita, a gata favorita, ouviu como se não ligasse a mínima pros decibéis enquanto 'tomava banho' em cima do cobertorzinho que Lobão arrumou pra ela em cima do equipamento.
Como reunião na hora do almoço não significa almoçar laudamente com o comendador acabei optando por um kibe com salada de fruta + água mineral e café no Taloá. Idem e de propósito: ranguinho rápido - eram já quatro e meia - e diferentemente tosco.
No escritório, com a net parando de oscilar (não deixa de ser inusitado também = P ) voltei à rotina ainda pensando em como quebra-la e provocar um fato novo, algo significativo pras coisas que me dizem respeito direta e indiretamente. Compenetrado, invocando mesmo o sobrenatural de almeida.
Daí gritam da outra sala que a Farra Fawcett se foi. Não deu nem tempo de perguntar como e já contaram no msn que MJ enfartou.
Daquele momento até o final do expediente entendi perfeitamente que não era eu procurando o lado B o dia inteiro: o lado B da vida é que estava me cutucando, ora. Tava no ar, nas mesas, nas cartas, nos olhos do mundo.
E me bateu um daqueles sentimentos que são raros, caros e quase inexplicáveis: o medo-prazer na beira de um penhasco de idéias, como se eu soubesse voar muito bem mas de repente me esquecesse por um minuto inteiro que sabia.
Ruminando (muuu) esse sentimento desci a Augusta, aqui do ladinho do esc em direção ao Tapas. O amigo Billy Umbella tocaria lá ontem. Achei que combinava com o dia e, pensei rapidamente, também era uma coisa que nunca faço.
Cheguei cedo, casa vazia ainda e Billy tocando as coisas bacanas que ele conhece. E eu lá, pensando no mode penhasco qdo vi o Coelho, guitarman do Seychelles passar correndo direto ao andar superior do Tapas: eu não sabia mas tinha show dele lá com a Monique Maion.
Subi pra ver a passagem de som, Monique contou do album novo, da transmissao daquele show ali via web pra Londres com sua gravadora e como ia acontecer tudo por ali.
Ela vira e diz "po, até toparia fazer uma música do MJ hoje. Mas sem ensaiar é foda". Botei pilha, claro. Provoquei pra ela fazer um trechinho, qualquer coisa.
Acabou virando um Billy Jean super bem tocado, que me levou de novo ao penhasco, bem no meio do show, lembrando que MJ foi meu primeiro idolo pop, que me ganhou por um desenho animado, me viciando completamente em música.
Saí antes do final, voltei a pé pra casa passando pelas padarias fechadas tentando não pensar muito que o mundo é Mutante e eu, no fundo sempre sozinho.
Don't stop till you get enough...
Compor as músicas, ensaiar, tirar o limo do som, fazer arranjos, tocar-tocar, gravar.
Ouvir, mixar, ouvir-ouvir, mixar. Masterizar.
Depois palco, shows.
• Onde a música é mais viva? Onde ela "existe" de verdade?
Egberto Gismonti disse uma vez que a música que está gravada - disse isso na época dos LPs, saibam - está...morta. A música pra ele existe no palco, somente.
Sei não. A música é só musica, né? Se assim é, o tempo todo ela é.
Entre o primeiro acorde da nova canção no quarto do músico e a primeira nota tocada no ipod do fã existem etapas. A etapa promocional, por exemplo.
Promover (trabalhinho chato feito em sintonia "fina" entre músico/empresário) é o combustível pra coisa (música!) acontecer e se consolidar naquilo que a industria gosta de rotular como "sucesso"," hit".
• Acompanhei a genese do novo trabalho do Ludov passo a passo. Nem vou escrever quão lindas são as músicas (TODAS!, mesmo), nem como tudo que envolve esse lance novo que será lançado em julho foi feito em timing e coincidencias bacanas.
Ainda se usa (por quanto tempo?) fazer um clipe para divulgar o novo trabalho. Foi o que fizemos ontem, sabadão, durante o dia todo.
Não posso entregar a idéia aqui, é surpresa até julho. Mas o clipe tem um conceito simples, embora de complexa execução.
Fazer coisas complicadas com dedicação, bom humor e organização é raro. Mas foi o que aconteceu = )
• O principal responsável - pra mim - foi Ricardo Secco, o Morcegão. Dirigiu o clipe em estilo maestro zen. Sensacional.
Coordenar harmoniosamente mais de 30 figurantes, bailarinos, atores, convidados, equipe técnica não é pra qualquer um.
Sábado cansativo e bem feliz no Teatro Sérgio Cardoso no Bixiga.
Abaixo, momentos:
1 Morcegão e assistente, de olho numa das 18 cenas gravadas no sabadão
2 Mauro, Léia e um "figurante-léia"...
3 Umas das várias tomadas com a banda dançando por lá
4 Ludov fazendo a canção escolhida...
• Eu tenho a certeza de que sou/fui o pior namorado do planeta. Não namorem comigo. Eu sou um perigo pra sociedade romantica, pra quem acredita em natal, ano novo e dia dos namorados.
Sou capaz de flertar, fazer a corte, abrir portas, bater em garçons.
Mas não sou confiável, não sou genro dos sonhos, não sou nada disso. E parei com a arte de.
• As poucas frases acima eram do meu texto pro dia dos namorados, que parei de escrever pq o telefone tocou. Me distraí e, esquecido, fui al blog do Marcelo Rubens Paiva, que escreve de verdade. Lá achei a crônica abaixo.
• Além de dizer muito com quase nada, melhor colocar MRP aqui do que eu ir mais fundo na minha amargura confessa. Feliz 12 de junho, cambada.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Atordoado. Foi como ele ficou, porque ela saiu da sala de embarque e o cumprimentou com um beijo no rosto. 6 anos. Beijo no rosto? Que afronta. Que falta de cuidado. Que bandeira. Não comentaram o assunto. Mas o olhar dela não procurou o carro, e sim o olhar dele. Portanto, é lógico que ela também se surpreendeu com o gesto abusadamente burocrático. Há uma semana viajando. O maridinho de 6 anos a busca no aeroporto. De surpresa. Instala-se na calçada. O carro em frente, com o risco de ser multado. E como ela agradece? Com um beijo no rosto, seco e inaudível.
Caminharam para o carro resumindo as prioridades: “Não esqueceu de nada?” “Pagou o IPVA atrasado?” “Tem bateria no seu celular?” “Ligou para o seu pai no aniversário dele?”
Desceram a Avenida 23 em silêncio. Há três meses, eles mal se encostavam. Ela sempre dormia antes. Desde quando se conheceram, há 6 anos, ela dormia antes. Um hábito que não levava em conta quem acordasse antes no dia seguinte. Ultimamente, ele entrava no quarto, e ela dormia de costas, com a cabeça longe.
No começo do namoro, iam para a cama com uma regularidade que irritava os amigos, quando as comparações eram trazidas à mesa. Nas viagens para a casa alugada na praia com amigos, causava admiração constatar que os novos namorados não saíam do quarto. Nem para o pôquer com feijão.
Claro que com o casamento a frequência caiu. Às vezes, uma semana sem trepar. Cíclico: havia semanas que não se desgrudavam, meses que não se tocavam, viagens que dormiam em camas separadas, férias que ficavam colados como um cometa e a cauda. Então, as estatísticas atolaram num pântano perigoso: duas vezes por mês; uma vez por mês. A quantidade reflete a qualidade de um casamento? Qual é o ideal, se é que existe?
Quando os encontros passaram para a média de uma vez por mês, o alarme tocou. Não conversaram sobre isso. Ela era a mesma linda sedutora de antes. Daquelas que envelhecem com metamorfismo: sai a casca juvenil, e se liberta a mulher perfeita. Ele até emagreceu, depois de muito esforço, e começar a nadar junto com ela. Por que não transavam mais, se eram os mesmos que se apaixonaram no primeiro encontro? Porque não eram mais os mesmos.
Só na Avenida Brasil, voltou a falar. Ele perguntou como foi a viagem. Demorou tudo isso, porque temia a resposta. Se ela dissesse “foi ótima”, estava esclarecido o beijo no rosto; foi muito melhor do que ficar com você, naquela nossa rotina abafada, na nossa casa em que nem trepamos mais, até encontrei um pescador meio índio que me virou literalmente do avesso. Mas ela não respondeu e acendeu um cigarro, olhou através janela. Ele se irritou. A sua indiferença ante o tornado de pensamentos e ódio e medo e indecisões que se formava assustava. E pois ela fumava.
Para irritá-lo. Ele parara de fumar seguindo um pacto de ela o seguir, mas ela, que fumava só eventualmente, e não como ele, viciado compulsivo, não cumpriu o combinado. De raiva, ele ligou o rádio na estação de rock e aumentou no punk dos Ramones, que dançou tanto na adolescência: We Are a Happy Family. E cantou:
“We're a happy family, me mom and daddy, siting here in Queens, eating refried beans...”
“Abaixa um pouco”, ela pediu.
“Por quê?”
“Abaixa...”, ela adocicou a voz.
Obedeceu. Sempre a obedecia, quando ela implorava docemente. Ela deve estar pensando no nativo deitado sobre ela, pescando para ela, subindo em coqueiros para trazer um coco fresco, cabulando os seminários que sua empresa organizou, dançando lambada, enquanto o otário aqui... Na Avenida 9 de Julho, ele resolveu jogar duro:
“Não vai falar como foi a viagem?”
“Cansativa. Desculpe. Estou exausta.”
Ele esperava qualquer resposta. Menos cansativa. Cansativo é ficar neste inferno de cidade do caos. Ninguém se cansa num resort numa ilha baiana, a não ser que se envolva com um nativo e se canse de tanto sexo, sexo que já não pratica em casa.
“Você sabe há quantos meses não metemos?”, ele perguntou.
Ela assoprou a fumaça no rosto dele, jogou a bituca pela janela e comentou ligeiramente impaciente:
“Que romântico... Você fez as contas, é?”
“Fiz. Sabe?”
“Quantos?”
“Três.”
“Três meses? E isso é muito ou pouco?”
“Muito.”
“Você quer parar num hotel agora? Tem um monte por aqui nos Jardins.”
“A questão não é essa.”
“E qual é?”
“Por que não 'transamos' mais como antigamente?”
“Não sei. Por quê?”
Devolver a pergunta foi a resposta mais eficaz. Isso mesmo, por quê? Afinal, não era só dela a culpa, se é que culpa seja a conduta a ser empregada.
“Por que casais param de trepar?”, ele perguntou.
“Não sei. Por quê?”
“Tesão acaba.”
“Acaba?”
“Acabou?”
“Não. Sei lá. Acho que não. Acabou?”
O carro parou no congestionamento. Ele pegou um cigarro da bolsa dela. Acendeu no acendedor do carro. E disse, sereno: “Acho que o casamento acabou. E o tesão foi conseqüência. Tudo o que tinha de bom ficou no passado. Por isso, a gente não transa mais. O presente é só ‘quem paga o IPVA’, ‘ligou para o seu pai?’. Rotina.”
“Você quer se separar?”
Ele tragou e a imitou, devolvendo a pergunta:
“Você quer?”
“Porque a gente não 'mete' mais.”
“Não é um bom motivo?”
“É. Que chato. Acabar um casamento por causa de sexo.”
“Da falta de”, ele corrigiu.
“Sem sexo, não dá, né?”
“É um sintoma. O primeiro que aparece. De que as coisas não andam bem.”
“E se as coisas não andam bem, é melhor parar.”
“É. Acho que é. Não sei. É?”
Embicou na garagem. O portão se abriu. Entrou com o carro em marcha lenta, até encontrar uma vaga no final, no canto da lâmpada queimada há dias.
“Não pediu para trocaram esta lâmpada?”, ela comentou.
Ele desligou o carro. Olhou para ela. Escorria uma lágrima do rosto dela. Ele a abraçou. Beijaram-se. Ela desatou o cinto e se sentou no colo dele. Logo, ele inclinará o encosto do banco para trás.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
ps: o dom do timing ou a arte de saber parar na hora certa. É isso sempre (that's why I love The Beatles so badly)
![]()
Clique na foto pra ver de verdade...
Link original aqui.
*de cabelo novo e tudo...
• A Gigwise se deu ao trabalho de juntar numa matéria as obras de arte mais bizarras inspiradas em popstars.
• Tem Britney Spears dando a luz segurando a cabeça de um urso, Robin Willians enfrutado, Pete Doherty em colagem alcoolica, um Elvis de alfinete e outros.
Link aqui.
Ingredientes:
- 1 calça jeans velha;
- 1 camiseta promocional manga curta;
- 1 camiseta colorida manga longa ou casaco;
- 2 jornais (sopa) de de qualquer lugar;
- 1 padaria (sopa) na esquina de casa;
- 1 banca (sopa) de jornal com jornaleiro que conte piada e não reclame de troco;
- 2 horas de sol quente e amigável;
- 1 caixa de bom senso e descompromisso (500gr.);
- sal e açúcar a gosto.
Modo de preparar:
Retire a calça jeans do armário e guarde o pijama (ou o dobre colocando em cima da cama).
Vista a calça rapidamente.
Numa janela com o sol brilhando e te esperando, vista também a camiseta promocional por baixo da camiseta colorida de manga longa, rapidamente, até que você fique dourado (quentinho) de novo.
Separe uma pergunta óbvia - "vou na padaria, alguém quer alguma coisa?" - mais a resposta - "vai e vê se não demora..." - e junte um pouquinho de alegria, raspando o fundo da alma com uma colher de pau.
Acrescente o restante da disposição na medida em que a preguiça for dourando.
Junte a caminhada, dispense o molho de chaves do carro e ganhe a calçada.
Cozinhe o humor com tampa até que a banca esteja à vista.
Retire todos os "bons dias" da panela e mire o semelhante.
Dê atenção a todos. Se precisar, acrescente mais humor.
Compre os jornais e revistas e deixe ferver.
Adicione a padoca, peça um café expresso fumegante e beba sem pressa até que o líquido seja absorvido.
Misture a leitura e beberagem com pensamentos aleatórios sobre o sentido da vida (amigos, amores, futebol, bobagens) com uma colherinha, e deixe crescer com o fogo desligado num balcão ao sol por quantos minutos lhe der na telha.
Sirva a manhã dominga com os pedaços desta vida, acreditando num molho perfeito.
Via Láctea passando por uma rave no texas. Lindo from William Castleman on Vimeo.
Nunca sei, como muita gente sabe, dizer qual ou quais minhas palavras favoritas em portugues.
Isso me causa admiração. Acho legal quem tem carinho e apreço por palavras. Palavras são commodities da alma, né? Elas brotam em minas, em litros-livros na cara das pessoas mas muito pouca gente as coleta, guarda, usa, ama, divide.
Pensando bem, talvez melhor comparar palavras com a água do planeta: em quantidade suficiente pra nos afogar ao mesmo que nos ilude com sua - falsa - aparencia inesgotável, pois são só zilhares de gotas esgotáveis.
Não há livros para todos mas há uma ilusão - em mim - de que há uma biblioteca mágica voando dentro desse planetinha azul e molhado em discreta carona pela via láctea.
São essas duas palavras da língua que, juntas, mexem comigo: via láctea. Descobri agorinha.
Pensando bem, são lindas em inglês tambem. Nao sei como é em francês, árabe ou coreano. Mas deve ser bacana como a própria coisa em si. Eis o motivo?
Aposto que sim.
(pra ler ouvindo The Church - Under the Milk Way)
Dica do filme da via láctea via @LikaRamirez