- Senta aí. Conta tudo, não esconda nada. Vai se sentir melhor depois.
Eu ia começar a contar tudo mesmo pr'aquele balcão do centro. Depois de quase a manhã inteira andando, andando, andando, a fome bateu e me fez entrar naquele bar.
Bar mesmo, daqueles de verdade. Com garçom pingüim e bigodinho, com açucareiro de aço e linguinha, com balcão mashup de mármore e madeira. Pedi um café com leite . Veio aguado e com muita nata. Desisti.
Fiquei com medo de pedir coca-cola. Não queria brigar com o garçom bigodinho quando ele oferecesse gelo e limão. Foi só pensar e ele disse: gelo e limão é só um tique nervoso do futuro. Ainda não tem disso não. Repara.
Aí eu reparei. Tinha uma senhora com um leque bonito, espanhol, lendo uma revista na mesinha em frente. Mulheres de ontem, o bigodinho disse.
Ao meu lado um cara com camisa branca, calça e sapatos preto. Sim, trabalha no banco, sussurrou o pingüim assim que eu pensei. "Não é um tempo de camisas como a tua". Olhei pra minha camisa laranja e lembrei dos meus problemas.
Aí o balcão sorriu feliz pela copa de 62 e quis me consolar. Resolvi não falar da saudade que me comia por dentro. Pendurei o café, a senhora olhou pra mim, o garçom sacudiu a cabeça e eu saí pelo centro de Porto Alegre comigo e sozinho de novo.
Ei, querido, que delícia de texto.;) Beijos
Comentado por marie tourvel @ janeiro 23, 2008 07:32 PMSim!
Muito boa!
Me deu até saudades dos bares dos idos dos anos 60, quando nem minha mãe era nascida...
Um brinde ao teu avô, então!
Comentado por enio @ janeiro 24, 2008 08:52 AMEscreve um livro, guitarman!
;;;))))
Lindo de doer o texto! MMostrei pra um monte de gente aqui!!!!
supimpa!
Comentado por Ritchie @ janeiro 25, 2008 10:35 AM