março 30, 2006

Como é que é?


Paula Foschia
, advogada, blogirl e escritora, faz parte da minha turma de internet pré-histórica.

Ela é a zeladora do Epinion.

Quando os CDs da Marisa chegaram ao mercado (fazendo um Monte na entrada e na saída com quem gosta e compra música pelo sistema tradicional), pensei em rabiscar sobre o assunto.

Lendo a Paula hoje vi que ela escreveu bem sobre o treco.

Ói só:


MICO INTERNACIONAL

ep1.jpg

Num belo dia, Paulo me dá de presente um dos novos cds da Marisa Monte. Um presente no mínimo estranho, já que ele detesta a cantora, mas considero um esforço fofo.

Imediatamente, coloco o cd no meu computador para baixar as músicas para o meu ipod. Surprise, surprise! Nada. Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece.

Passo à alternativa dois: tentar ouvir o cd no Windows Media Player. Mais uma vez, nada.

Já emputecida, coloco o cd no computador do Paulo e, somente agora, abre-se uma janela com um “contrato” (muitas aspas, por favor), cujo conteúdo a ética profissional me impede de chamar de um lixo completo. Ops, escapuliu.

Apesar do absurdo das “condições” impostas para que eu possa ouvir a bosta de cd pelo qual JÁ PAGAMOS, clicamos em “aceitar”. Adivinhem? Nada acontece.

Procuro na caixa do cd onde é que está a informação OSTENSIVA e ADEQUADA exigida pelo Código de Defesa do Consumidor me avisando que não poderia baixar as músicas no ipod e descubro a mais nova (e mais cretina ainda) forma das antigas, famosas e condenadas letras miúdas: os desenhos miúdos. Me custa crer que a gravadora realmente achou possível um consumidor captar, por meio daqueles desenhos, a roubada em que estava se metendo.

Resultado: descobrimos que, apesar de ter COMPRADO o cd, teremos que baixar as músicas na internet se quisermos ouvi-las nos nossos computadores ou ipod. Assim, nós, como todos os demais trouxas que compramos o cd da Marisa Monte, fomos brutalmente empurrados para a ilegalidade pela falta de profissionalismo e visão comercial alheia.

ep3.jpg

Na mesma semana, vejo uma declaração da mesma Marisa Monte na Revista Época, dizendo que não tem nada contra a pirataria. Nada contra, contanto que não seja com o cd dela, mas epa!, essa parte ela esqueceu de dizer. Aliás, cabe aqui lembrar que se não é impossível, é MUITO difícil conseguir passar as músicas de um ipod para outro computador. Ou seja, a medida contra os ipods sequer tem o objetivo (que também seria ridículo) de combater a pirataria. É pura antipatia mesmo. Pra não falar burrice.

Fiquei remoendo dias a fio pra escrever sobre o assunto. Enquanto isso, notinhas começaram a pipocar aqui e ali. Mas hoje, finalmente, tive o incentivo que estava faltando: descobri que o mico da Marisa Monte já se tornou internacional.

Conclusão:
CD da Marisa Monte (marromeno, por sinal): 35 reais.
Baixar as músicas na internet: 0 reais
Ver uma atitude mesquinha, antipática e desrespeitosa com o consumidor se transformar num mico internacional: NÃO TEM PREÇO.

Blogado por Enio Martins @ março 30, 2006 06:09 PM
Comentários

Sim, eu entendo perfeitamente porque vc ganhou um CD da Marisa Monte de alguém que odeia a cantora! Pra ter mais uma pessoa odiando essa mercenária!

Comentado por Carlitz @ março 30, 2006 09:42 PM

Epa!

Comentado por Enio @ março 31, 2006 11:29 AM

Com todo respeito à MM (eu gosto do primeiro disco dela, não me processem, caramba), mas isso não é um mico, é um King Kong atômico.

E eu não posso mais entrar na FNAC sem trombar com disco dela no caminho. Tô começando a pegar birra.

Comentado por Anna Chains @ março 31, 2006 03:51 PM

Me parece cada vez mais absurdo e, ao mesmo tempo, improvável que tenhamos de carregar CDs originais sempre que quisermos ouvir música por aí. Vc consegue se imaginar dando uma corridinha no Ibirapuera com um CD Player e seus cases? Ouvindo Marisa Monte?

Comentado por Tequila @ abril 3, 2006 05:19 PM

Como eu queria, ó meu Deus, como eu queria que alguém próximo a mim comprasse essa @#$%*! de CD para eu ter o prazer de ripar (não importam os métodos, nem que tivesse de usar um gravador de fita cassete para isso), só pra provar que a antipatia da atitude deles não implica proteção absolutamente nenhuma contra pirataria.

Vou ficar de olho nos camelôs, assim que sair o release deles eu compro e te mando os MP3, pode me cobrar.

Em tempo: tive de ler umas duas vezes o "epinion" no segundo gráfico, pois a posição do braço combinada com a camiseta me faziam ler "PEPINION", o que me fazia sentir um estranho gosto de pepino com cebola. É, sou muito sugestionável, mesmo.

Comentado por Janio Sarmento @ abril 7, 2006 08:38 PM

acho que qualquer zemané que se anime a entrar em um procon, ganhava a causa.

A grande mancada é o fato de que o tal contrato para uso só aparece quando o disco é tocado no computador. Só somos informados depois de já ter o produto nas maos. Aquilo ( no minimo) deveria estar impresso na capa. O consumidor só descobre as "regras do jogo" depois de já ter pago por ele.
Fica muito bem definida a lesao.

Costumo tirar cópias dos meus originais para usar no carro ( em caso de assalto ) e no computador ( ficam muito arranhados ou por preguiça de pegar o original na sala ) Nao acho que isso seja pirataria.

Comentado por Cris @ abril 9, 2006 05:38 AM

Porra... É foda!!!!!!

Comentado por Chaserall @ abril 27, 2009 12:43 PM
Participe!









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