Mais de 25.000 pessoas em três dias de Tim Festival. Passear pelos bares e lugares de lá já era bem divertido, a variedade de estilos e tribos era imensa. Passear por ali me fazia pensar na rádio preferida de toda essa gente. Aliás, quais rádios teriam em seu playlist os artistas que se apresentariam naquela segunda noite do Festival? Quanta gente de rádio por ali naquela noite poderia ser influenciada? Perguntas sem respostas.
Chegando ao Jóquei Clube de São Paulo para a segunda noite, fui direto para a apresentação do David Sanchez Quintet. O saxofonista entra no palco de azul e, de cara, faz uma linda homenagem ao Brasil tocando uma bachiana de Heitor Villa-Lobos.
![]()
![]()
Clique para ver Edsel e Sanchez grandões...
O pianista de Sanchez, Edsel Gomes, também tem laços importantes conosco: me contou que tem um filho brasileiro morando em Jundiaí. Edsel e o baterista de Sanchez, Haws Glawschning, tocam também na banda que acompanha Dee Dee Bridgewater pelo mundo.
Quem leu a nota sobre o primeiro dia do Tim Festival, sabe que eu preciso abrir mão de assistir shows inteiros para poder acompanhar o que acontece nos outros palcos (quatro no total). E lá fui eu ver de perto o que é que Polly Jim Harvey tem.
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Clique nas fotos pra ver o que é que PJ tem
Havia um frisson fortíssimo no ar antes da entrada da cantora inglesa. Vozes masculinas curiosas sobre a musa do rock alternativo (???) e muita expectativa sobre sua performance. Muito bem. Depois um pequeno atraso e gritos insistentes de seu nome da platéia, ela entra. Bem magrinha, aparentemente frágil num vestidinho vermelho e com uma cara de quem fez ou vai fazer coisa errada. Quase inocente. Eu disse quase porque de repente a banda ataca furiosamente "Uh Huh Her" e ela diz a que veio. Parece outra pessoa, muito segura, firme e muito áspera. De vez em quando olhava pra frente e lançava aquele olhar que usou quando pisou no palco. Tocou maracas, guitarra e cantou muito. O som não ajudava muito sua voz nas primeiras músicas - na verdade o público nem ligou muito para esse detalhe - mas ficou realmente bom a partir da quinta canção, ironicamente chamada "Who The Fuck". Ela não é musa por ser uma mulher, digamos, linda. É porque tem uma coisa que os americanos chamam adequadamente de "Star Quality".
![]()
![]()
Clique e veja o camarada marsa no Tim
Depois de um chá de PJ Harvey fui disparado me acalmar novamente no palco do Tim Club, onde um membro da dinastia Marsalis - assim foi anunciado pelo locutor - faria um show pra lá de 'jazzeiro'. O filho de Ellis e irmão de Winton, Brandford Marsallis entrou no palco muito a fim de tocar. Discípulo assumido de Coltrane e com uma banda com 'punch' - seu baterista parecia estar num show de rock'n'roll - foi aplaudidíssimo. Movimentava-se muito quando tocava e, quando deixava o trio que o acompanhava solar, recolhia-se ao fundo do palco. Num dos solos, seu baterista se entusiasmou e desencaixou na pancada o cowbell preso ao surdo. Marsallis se abaixou e arrumou numa boa o instrumento do amigo.
Bebel Gilberto! Me avisam e deixo Marsallis e seu trio um pouco além da metade do show. O que fazer?

Há muito tempo andava curioso sobre essa persona pop que Bebel se transformou, especialmente de três anos para cá. Nova Iorque, Londres, Japão e um monte de lugares que importam no planeta pop descobriram a cantora. Apesar da linhagem nobre que ela tem, eu queria tirar uma dúvida. Nada sobre seu talento, minha dúvida era em relação a Bebel ao vivo. Como seria? Fiquei agradavelmente surpreso com o que vi: uma cantora que gosta do palco, que se movimenta, que dança sem dançar. Só podia mesmo ser amiga de Cazuza.
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Clique para ver fotos ampliadas da Bebel
Aliás, ao final da primeira música, "Simplesmente", dedicada ao próprio, ela se emociona e chora. Um lágrima rápida. Ela logo parte para "River Song" acompanhada pela platéia totalmente rendida ao seu talento. Cantando em inglês e português, num repertório irrepreensível, foi certamente um dos melhores shows do Festival. A tenda do Tim Lab sorriu o tempo todo.

E lá vou eu para meu último show na noite de sábado, para o oposto de Bebel. Não em qualidade, mas em massa sonora. No palco do Tim Stage estávamos todos, com no começo de todos os shows, no fosso bem em frente para as fotos, esperando os escoceses do Primal Scream. Primal Scream vem de grito primal, terapia do psiquiatra Arthur Janov.
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Clique para ver as barulhentas fotos do Primal
Nem um milhão de gaitas escocesas e um milhão de gritos primais bateriam o volume de som imposto pela banda. Estou falando de volume mesmo, quase ensurdecedor. Na estrada desde final dos 80, eles devem saber o que fazem para gostar de tocar tão alto. Tocaram tudo que os fãs esperavam: "Accelerator", "Rise", "Shoot Speed", "Movin' on up", "99th floor" e por aí vai. Ao tocar "Sick City" o baixista do Primal - vestido com uma camiseta verde-amarela, a dedicou aos Mutantes.
Dentro do menu de sábado foi o que consegui acompanhar. Mais tarde, por aqui, o domingo do homem solitário do RA no Tim Festival 2004.
Blogado por Enio Martins @ novembro 6, 2004 02:45 PM | TrackBack