O Ritz e o Passatempo. Os dois restaurantes ficam numa mesma rua aqui de São Paulo, a Jerônimo da Veiga.
Só que ontem Nelson Motta lançaria seu livro "Bandidos e Mocinhas" no primeiro. E Amaury JR grava seu programa no segundo. Os dois na mesma hora.
Como Rodrigo é discípulo protegido do Nelsinho, estava intimado a comparecer (além, é claro, de Nelson Motta também ser padrinho do Blog'n'Roll).

Passado o som no Passatempo, vai começar...
Claro que a gravação atrasou e eu e Ritchie não pudemos ir ao Ritz. Rodrigo deu uma escapada, conseguiu dar um abraço no Nelsinho e voltou correndo pra gravação. Depois do Francis Hime e Olivia Byington, de Flávio Venturine, chega a vez do Ritchie.
Foi divertido. Ah, isso foi. Ritchie deu uma entrevista bacana, Rodrigo rasgou o verbo com o Amaury também. Tocamos 3 músicas e foi isso (mais uns cacos antológicos)!
Não sabemos ainda quando vai passar.
Avise a gente, Larissa (e obrigado pela maneira como fomos recebidos por vocês da produção!).
Dezembro e janeiro prometem pra Ritchie. Vamos rodar com shows no Rio, norte do país e estamos fechando uma mini temporada em Sampa. Uma viagem de trabalho pela Europa está se desenhando também. Disco novo à vista em 2005 e o escambau.
No meio disso tudo Ritchie guy andou se reencontando, essa semana, com antigos companheiros de banda. A foto aí de baixo diz tudo...

It don't come easy,
You know it don't come easy.
It don't come easy,
You know it don't come easy.
Got to pay your dues if you wanna sing the blues,
And you know it don't come easy.
You don't have to shout or leap about,
You can even play them easy.
Forget about the past and all your sorrows,
The future won't last,
It will soon be over tomorrow.
I don't ask for much, i only want your trust,
And you know it don't come easy.
And this love of mine keeps growing all the time,
And you know it just ain't easy.
Open up your heart, let's come together,
Use a little love
And we will make it work out better.
Got to pay your dues if you wanna sing the blues,
And you know it don't come easy.
You don't have to shout or leap about,
You can even play them easy.
Peace, remember peace is how we make it,
Here within your reach
If you're big enough to take it.
I don't ask for much, i only want your trust,
And you know it don't come easy.
And this love of mine keeps growing all the time,
And you know it don't come easy.
Outro dia estava olhando o relatório de audiência do Blog'n'Roll.Sempre que puxo esse relatório levo um susto. Eu tenho uma impressão de stood still com o site, mas a Locaweb acusa audiência média altíssima. Hahaha, nem quero entender porque. Mas tenho certeza de que é por causa de algumas figuras que estão perto da gente desde sempre, como a Anna. Eu chamo ela de Anna Chains, de minha Ringo-girl favorita (no jeaulousy, Luís). Uma menina sensacional, uma jornalista que está desde sempre com o Blog'n'Roll. Anna está morando há alguns meses na Inglaterra ( em Norwich, por um mestrado na University of East Anglia) e, embora esteja lá por questões mais urgentes, sempre fica com a antena pop ligada no que acontece. De lá, ela manda um texto sobre o rattle & hum do momento, o Band Aid 3.

Luís Wilson, um popular e Anna 'nice' Chains numa festança regada a Guinnes em 2003...
Com vocês, Anna:
¬øs vezes eu acho que o avião que me trouxe para a Inglaterra resolveu passar num túnel do tempo e aproveitou para me descarregar direto nos anos oitenta. Só isso explica o anúncio do novo disco do Duran Duran no metrô de Londres, uma volta nada discreta a alguns itens de vestuário da época (notadamente ombreiras, Deus me livre...) e o fato de meio mundo estar falando sobre o Band Aid de Midge Ure e Bob Geldof. Aquele mesmo do "Do They Know It's Christmas", em nova versão vinte anos depois.
Eu não tenho o menor cacife para comparar as bandas de 1984 e 2004 ou partilhar alguma experiência que seja sobre o disco - quando o single original foi lançado eu tinha três anos. Mas o fato de estar "na cena do crime" e acompanhando, pelos jornais, toda a confusão em torno da terceira regravação do single, me fez pensar sobre o line up da vez e realmente parar para ver se a mistura nova ia prestar...
Daria para fazer uma outra banda só com o pessoal que queria, desesperadamente, entrar para o time. Além de ajudar a Etiópia, o Band Aid é vitrine e todo mundo quer e precisa aparecer. Ironicamente, tem gente que canta e aparece pouco - Bono, por exemplo, que participou dos dois elencos, canta mas não aparece na foto oficial. O mesmo acontece com Dido e Robbie Williams, dois dos artistas que mais vendem na ilha.

Talvez Bob devesse escrever outro treco pra ocasião.Ou não.
Tem gente para quem a vitrine ajuda - como Will Young, vencedor da primeira versão do 'Pop Idol' (o "Fama" local) cujo maior (des)crédito foi ter destruído "Long and Winding Road" num single, e sobreviventes grupos pop (Rachel Stevens, que era do S Club 7, e Shaznay Lewis, do All Saints - que tiveram lá seus sucessos por aqui no fim dos anos 90), que precisam muito de uma certa propaganda para recuperar as respectivas carreiras.
Claro que tem quem mereça aparecer, porque talento tá sobrando: a ala R&B, composta por Jamelia, Estelle e Ms. Dynamite, por exemplo. Trio de respeito. Na ala rock, a recomendação é baixar Snow Patrol e esquecer o Keane, a não ser que você ande precisando de uma trilha sonora pra curtir fossa e não consegue descobrir onde foi que você deixou a coletânea dos Smiths. Travis é caso para ame-ou-ignore, Darkness é ame-ou-odeie - no primeiro caso porque tem gente que acha o som muito leve, o segundo porque tem quem não goste de rock farofa...
O resultado dessa mistura começará a ser vendido em 29 de novembro, mas a imprensa local já começa a se dividir - tem quem adore a idéia e apóie cem por cento, rezando para que o disco atinja a marca de meio milhão de cópias sejam vendidas ainda na primeira semana; tem que não quer nem imaginar como vai ser passar dezembro inteiro ouvindo (na opinião de uma colunista do The Independent) uma das 'piores canções que já atingiram o número um das paradas'. Do lado dos espectadores, cá estou eu observando tudo, e vendo Madonna (a própria, mais inglesa do que a Rainha) apresentar a canção ontem na BBC em um show especial (escrevo esse texto na noite de 18 de novembro).
Eu disse no começo desse texto que não tinha cacife para fazer comparações. Também não tenho, pois, ranço de nostalgia para achar que a primeira versão era melhor que a nova versão...mas, cá para nós...e que ninguém mais me ouça...a primeira versão era melhor...
PS.: Outro dia pendurei um texto do show do Dylan, da Fer. Agora a Anna. Acho bacana, já que meus 3 companheiros andam meio sumidos e ocupados. Assim como a Anna e a Fer, existem nossos chapas por aí na blogosfera (vcs sabem quem são, ô se sabem) que podem e devem mandar coisas aqui pra gente. Não é?

Muita carne frequentando as prateleiras desse fenômeno. Do you 2?
Uma carninha aqui, outra ali. Uma bistequinha, uma costelinha, um joelhinho. Uma coxinha, um peito, uma picanha, um lombo. Carnes everywhere.
Um fenômeno. Um império chegando. As coisas saindo de controle, carne, carne, carne.
Carne frita é que é o problema.
Eu sou semi-veggie. Sou contra. Mas ver o império surgir me fez colocar esse post testemunho.
NHS no PHS.
Minha amiga Rifka manda avisar e eu obedeço pq a parada é boa. Quem gosta de Prince, Steve Wonder, Quincy Jones, Marvin Gaye, enfim, da turma com som groovy da nata preta, que apareça neste sábado no Mojave (Rua Morato Coelho, 740- Pinheiros - 3813-2063 - estacionamento ao lado).
Dia da consciência negra e de festa com DJ LAH do Conexão do Morro nas pickups.
Entrada bacanuda de 5 pratas e mais nada. Só dançar e aquelas coisas. Nos vemos por lá.

Meu groovy tecladista favorito vai tocar também

"Relação não se discute, vive-se. Se uma pessoa fica encontrando, em cada gesto seu, um significado oculto que possa revelar que você gosta mais ou menos dela, puta que o pariu"
(José Wilker, na playboy desse mês)
"Que as feias e bonitas me perdoem, mas franqueza é fundamental."
(Enio, num post desabafo por ele e grandes amigos no B&Roll)
Dia 29 de novembro será lançado. Por enquanto, a foto:
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Clique para ver ampliada a foto
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Clicando, o desenho se ampliará também
Fileira da frente (esq p/ dir)
* 1. Matt Jay (Busted)
* 2. Charlie Simpson (Busted)
* 3. James Bourne (Busted)
* 4. Lemar
* 5. Rachel Stevens
* 6. Estelle
* 7. Will Young
* 8. Jamelia
* 9. Natasha Bedingfield
* 10. Olly Knights (Turin Brakes)
* 11. Gale Paridjanian (Turin Brakes)
* 12. Tim Wheeler (Ash)
Segunda Fila
* 13. Damon Albarn (Blur/Gorillaz)
* 14. Shaznay Lewis
* 15. Midge Ure
* 16. Ms Dynamite
* 17. Joss Stone
* 18. Beverley Knight
* 19. Daniel Bedingfield
* 20. Mutya Buena (Sugababes)
* 21. Heidi Range (Sugababes)
* 22. Keisha Buchanan (Sugababes)
Terceira Fila
* 23. Katie Melua
* 24. Neil Hannon (The Divine Comedy)
* 25. Skye Gordon (Morcheeba)
* 26. Tom Chaplin (Keane)
* 27. Tim Rice-Oxley (Keane)
* 28. Roisin Murphy (Moloko)
* 29. Fran Healy (Travis)
* 30. Dougie Payne (Travis)
* 31. Andy Dunlop (Travis)
* 32. Nigel Godrich (producer)
* 33. Bob Geldof
* 34. Grant Nicholas (Feeder)
Ultima fila
* 35. Padraic McMahon (The Thrills)
* 36. Kevin Horan (The Thrills)
* 37. Daniel Ryan (The Thrills)
* 38. Ben Carrigan (The Thrills)
* 39. Conor Deasy (The Thrills)
* 40. Gary Lightbody (Snow Patrol)
* 41. Nathan Connolly (Snow Patrol)
* 42. Mark McClelland (Snow Patrol)
* 43. Jonathan Quinn (Snow Patrol)
* 44. Tom Simpson (Superfly)
* 45. Justin Hawkins (The Darkness)
* 46. Dan Hawkins (The Darkness)
* 47. Frankie Poullain (The Darkness)
* 48. Ed Graham (The Darkness)
E Paul McCartney tocou o baixo dessa gravação.
"Bono Vox has been delayed so I leave the studio. There is a single candlelit table set up in the centre of the hall where those still working on the song, including producer Nigel Godrich and Travis singer Fran Healy, are about to eat sushi.
A helper passes Bob Geldof two things from fans outside - a note from someone claiming to have very early Boomtown Rats tapes and an envelope simply marked "Donation". "
Disseram que o palco não é mais aquele lugar;
Mas do jeito que a gente me olha de frente,
como eu vou parar?
Não venha me dizer do meu compromisso
com isso ou aquilo,
se o que a gente quer
não deixa de ser um belo motivo
pra se festejar de modo indiscreto o que vai nascer;
E todas as estórias
que o mundo imagina pra sobreviver,
prefiro não saber!
(Mrs Jones)

Eis que o domingo chega. Frio, úmido e cinza. O Tim Festival começaria mais cedo, era preciso sair rápido. Olho pela janela, já eram 18 hs. O horário de verão deveria me mostrar um dia claro lá fora, mas o começo da noite é cor de chumbo. Sem preguiça ganho a rua pensando que Dave Holand se apresenta 20 hs. Precisava chegar mais cedo porque a agenda do Tim Festival no domingo é ingrata: Brian Wilson está marcado para 20:30 Hs. Portanto eu teria, no máximo, apenas meia hora para ver o baixista favorito de Miles Davis, o multi premiado Holland. Não é muita coisa. Mas o que é possível fazer?
¬øs 19:30 eu estava em frente ao palco observando a movimentação dos roadies montando equipamento da Dave Holland Big Band. Aos poucos o auditório do Tim Club vai enchendo, os colegas de imprensa vão aparecendo. Olho no relógio, 20 hs. Olho de novo, 20:10 hs. Nada de Dave Holland. Já começo a achar que terei problemas por conta do show de Brian Wilson que começaria em 20 minutos. Me avisam que o show do Beach Boy atrasaria também, começaria 21 hs. Isso me daria chance de acompanhar Holland. Mas cadê ele? 20:25 e...nada. De repente me avisam: Brian Wilson começaria pontualmente o show. Eu tinha 5 minutos para chegar ao Tim Stage que não ficava exatamente ali do lado. Voei. Eu e um batalhão de repórteres abandonamos Dave Holland. Não briguem comigo, mas...

Esbaforidos entramos no Tim Stage e nos colocamos em frente ao palco. Olho no relógio e vejo que são 20:45. Pontual como? Mais um atraso? Acabo de pensar isso e a vinheta do Tim Festival ecoa. Em seguida o locutor anuncia: a lenda - sim, senhores, é sim - entraria no palco.

E entra. Nem eu, nem ninguém no Tim Stage conseguiu disfarçar a emoção. Acostumado a frequentar shows, entrevistas com estrelas pop, costumo manter distância segura de idolatrias e babações de ovo. Mas confesso que dessa vez não segurei. Ver Brian Wilson entrar no palco com aquele olhar de "melhor amigo do homem", sentar-se ao piano, cumprimentar a platéia e atacar de cara com "Sloop John B" foi demais. Me arrepiei mesmo. Me emocionei. E sei que não estava sozinho sentindo isso. Atrás de mim, ali na primeira fileira, estava um camarada chamado Herbert Vianna. Olhando fixamente para o palco com um sorriso iluminado, extasiado. Olhei para as mesas próximas e vi que havia um exército de Herbert Viannas: todo mundo feliz. Eu incluso.
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É só clicar para ver as fotos da lenda
Brian Wilson não negou fogo. Tocou tudo que a gente quis: "California Girls", "Surfer Girl", "Wouldn't it be nice" (maravilha!), "Wendy", "Good Vibration" e, claro, "God Only Knows", anunciada por ele como a canção predileta de McCartney. Voltou animado para um bis com 3 músicas. Saímos, eu, Herbert e todo mundo, com a alma lavada e enxaguada na praia de Mr Brian Wilson.
Não deu muito tempo para que eu me recuperasse e partisse para uma outra experiência peculiar. De outra natureza pop, mas inesquecível: um show do Libertines. Aclamados pela imprensa inglesa como uma das poucas bandas de quilate e qualidade, com passagens pela polícia, envolvimento com drogas pesadas e anuncios de um precoce final de carreira, o Libertines tinha nessa receita confusa uma reputação de ser, ao vivo principalmente, uma grande e verdadeira banda de rock'n'roll.

A banda entrou no palco em silêncio. Silêncio deles, pois a platéia urrava. Impressionante. Aliás o público estava a fim de barulho, estava agitado. Pouco antes da entrada do Libertines a horda brigava com o roqueiro Supla - que estava ali, entre o público - gritando frases que eu acho melhor não reproduzir aqui.
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Clique para ver fotos maiores do Libertines
Voltando ao Libertines, eles entram em silencio e encarando a platéia. EspecialmenteCarl Barât, que faz uma cara de louco mas sem deixar de mostrar que sabe muito bem o que está fazendo. Bom, ele abrem com "The Delaney" e fica tudo muito claro: eles realmente são uma banda de rock. Sabem tocar (é, hoje em dia esse parece ser um quesito opcional), gostam do palco e tem carisma. Mick Jones, do Clash, disse com todas as letras que esses caras sabem mesmo tocar em volume alto, aparentemente perdendo controle e pousando com segurança ao final das canções. Na veia: foi isso o que eu vi. Carl e Tony realmente se entendem enquanto tocam, a cara de mau de Hassal não disfarça o excelente baixista que é e Gary Powel bate como que pra furar a pele de seu kit (em "Road to Run" brincou de escola de samba com um apito na boca em alusão ao Brasil). Podem até ser loucos, mas que estavam muitíssimo bem ensaiados, isso estavam. "Vertigo", "Plana", "Time for Heroes" (minha favorita na noite), "Ha Ha Wall", "Good Old Days", todas cantadas aos berros pela platéia e executada irreprensível por essa banda que fez valer cada centavo gasto pelas pessoas que lotaram o Tim Lab.
Bom, como resolvi assistir até o fim Brian e Libertines, naquela hora do domingo me restava ainda uma atração de peso, os Pet Shop Boys.

Neil Tennant e Chris Lowe entraram num palco com cenário hi-tech, em tons azuis. No lado direito os teclados e o Macintosh Titanium de Lowe, ao centro um pedestal para o microfone de Neil. Mais nada além dos pads de iluminação. Talvez por conta da apresentação do Kraftwerk na sexta, estivesse esperando uma apresentaçnao sem muita emoção. Nada disso, Neil Tennant parecia mesmo gostar de estar ali. Ia de um lado ao outro do palco, brincava com a platéia, cantava rindo e fazia pose para os fotógrafos. A platéia, que pegou quatro horas entre filas e a entrada do duo no palco parecia feliz e cantava os hits. Os Pet Shop Boys colocaram no setlist "Rent" (que abriu), "West end Girls", "Domino Dancing", "Suburbia", "Being Boring", "Always on my Mind", "Left to my Own Devices", "It's a Sin".
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Clique para ver as fotos dos PSB
Logo depois da apresentação dos ingleses entrou no palco do Tim Stage o DJ Mau Mau para fazer o chill-out dessa edição do Tim Festival, que emendou madrugada a dentro.
Ano que vem tem mais? Espero que sim.
Mais de 25.000 pessoas em três dias de Tim Festival. Passear pelos bares e lugares de lá já era bem divertido, a variedade de estilos e tribos era imensa. Passear por ali me fazia pensar na rádio preferida de toda essa gente. Aliás, quais rádios teriam em seu playlist os artistas que se apresentariam naquela segunda noite do Festival? Quanta gente de rádio por ali naquela noite poderia ser influenciada? Perguntas sem respostas.
Chegando ao Jóquei Clube de São Paulo para a segunda noite, fui direto para a apresentação do David Sanchez Quintet. O saxofonista entra no palco de azul e, de cara, faz uma linda homenagem ao Brasil tocando uma bachiana de Heitor Villa-Lobos.
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Clique para ver Edsel e Sanchez grandões...
O pianista de Sanchez, Edsel Gomes, também tem laços importantes conosco: me contou que tem um filho brasileiro morando em Jundiaí. Edsel e o baterista de Sanchez, Haws Glawschning, tocam também na banda que acompanha Dee Dee Bridgewater pelo mundo.
Quem leu a nota sobre o primeiro dia do Tim Festival, sabe que eu preciso abrir mão de assistir shows inteiros para poder acompanhar o que acontece nos outros palcos (quatro no total). E lá fui eu ver de perto o que é que Polly Jim Harvey tem.
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Clique nas fotos pra ver o que é que PJ tem
Havia um frisson fortíssimo no ar antes da entrada da cantora inglesa. Vozes masculinas curiosas sobre a musa do rock alternativo (???) e muita expectativa sobre sua performance. Muito bem. Depois um pequeno atraso e gritos insistentes de seu nome da platéia, ela entra. Bem magrinha, aparentemente frágil num vestidinho vermelho e com uma cara de quem fez ou vai fazer coisa errada. Quase inocente. Eu disse quase porque de repente a banda ataca furiosamente "Uh Huh Her" e ela diz a que veio. Parece outra pessoa, muito segura, firme e muito áspera. De vez em quando olhava pra frente e lançava aquele olhar que usou quando pisou no palco. Tocou maracas, guitarra e cantou muito. O som não ajudava muito sua voz nas primeiras músicas - na verdade o público nem ligou muito para esse detalhe - mas ficou realmente bom a partir da quinta canção, ironicamente chamada "Who The Fuck". Ela não é musa por ser uma mulher, digamos, linda. É porque tem uma coisa que os americanos chamam adequadamente de "Star Quality".
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Clique e veja o camarada marsa no Tim
Depois de um chá de PJ Harvey fui disparado me acalmar novamente no palco do Tim Club, onde um membro da dinastia Marsalis - assim foi anunciado pelo locutor - faria um show pra lá de 'jazzeiro'. O filho de Ellis e irmão de Winton, Brandford Marsallis entrou no palco muito a fim de tocar. Discípulo assumido de Coltrane e com uma banda com 'punch' - seu baterista parecia estar num show de rock'n'roll - foi aplaudidíssimo. Movimentava-se muito quando tocava e, quando deixava o trio que o acompanhava solar, recolhia-se ao fundo do palco. Num dos solos, seu baterista se entusiasmou e desencaixou na pancada o cowbell preso ao surdo. Marsallis se abaixou e arrumou numa boa o instrumento do amigo.
Bebel Gilberto! Me avisam e deixo Marsallis e seu trio um pouco além da metade do show. O que fazer?

Há muito tempo andava curioso sobre essa persona pop que Bebel se transformou, especialmente de três anos para cá. Nova Iorque, Londres, Japão e um monte de lugares que importam no planeta pop descobriram a cantora. Apesar da linhagem nobre que ela tem, eu queria tirar uma dúvida. Nada sobre seu talento, minha dúvida era em relação a Bebel ao vivo. Como seria? Fiquei agradavelmente surpreso com o que vi: uma cantora que gosta do palco, que se movimenta, que dança sem dançar. Só podia mesmo ser amiga de Cazuza.
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Clique para ver fotos ampliadas da Bebel
Aliás, ao final da primeira música, "Simplesmente", dedicada ao próprio, ela se emociona e chora. Um lágrima rápida. Ela logo parte para "River Song" acompanhada pela platéia totalmente rendida ao seu talento. Cantando em inglês e português, num repertório irrepreensível, foi certamente um dos melhores shows do Festival. A tenda do Tim Lab sorriu o tempo todo.

E lá vou eu para meu último show na noite de sábado, para o oposto de Bebel. Não em qualidade, mas em massa sonora. No palco do Tim Stage estávamos todos, com no começo de todos os shows, no fosso bem em frente para as fotos, esperando os escoceses do Primal Scream. Primal Scream vem de grito primal, terapia do psiquiatra Arthur Janov.
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Clique para ver as barulhentas fotos do Primal
Nem um milhão de gaitas escocesas e um milhão de gritos primais bateriam o volume de som imposto pela banda. Estou falando de volume mesmo, quase ensurdecedor. Na estrada desde final dos 80, eles devem saber o que fazem para gostar de tocar tão alto. Tocaram tudo que os fãs esperavam: "Accelerator", "Rise", "Shoot Speed", "Movin' on up", "99th floor" e por aí vai. Ao tocar "Sick City" o baixista do Primal - vestido com uma camiseta verde-amarela, a dedicou aos Mutantes.
Dentro do menu de sábado foi o que consegui acompanhar. Mais tarde, por aqui, o domingo do homem solitário do RA no Tim Festival 2004.
Pois bem. Depois da ressaca bush (quase ninguém sacou o Kerry na foto aí de baixo com David Bowie), vem um post monstro. Publiquei no Radioagência antes, republico aqui com as fotos completas. Tim Festival a la Blog'n'Roll.
TIM FESTIVAL DIA 1
Não adianta, meu amigo radialista: por mais críticas que façam ao TIM Festival e eventos do gênero (elitistas, expensivos) impossível negar a importância de eventos desse tipo no Brasil. O público aprova, é o que se percebe durante os shows e nos intervalos. É emocionante ver como artistas tão díspares quanto Bebel Gilberto e Libertines possam provocar sensações tão semelhantes. Ou seja, a audiência cantando junto e entusiasticamente TODAS as músicas.
Impressionante também é o olhar guloso dos artistas de jazz quanto encontram a generosidade e o calor dos brasileiros. Percebe-se nitidamente que a performance deles encorpa, ganha brilho. Os quatro palcos do Tim Festival (Club, Stage, Lab e Motomix) ferveram. Em estilos variados.
É o Brasil. É o Tim Festival.
Eu, homem sozinho do RA por lá, fiz o que pude e mais um pouco para acompanhar o cardápio. Saborosíssimo, me perdoem os "cricris". Apenas eu e quatro palcos com até 4 shows diferentes em cada uma das três noites...
Enfim.
Não adianta. O fato de eu morar em São Paulo há 15 anos não me faz aprender a desconfiar tanto quanto esse trânsito caótico merece. Saí de casa - santa inocência - com a cabeça voltada para o show de Chico Pinheiro. Surpresa previsível, um engarrafamento monstro pelo caminho do Jóquei Clube de São Paulo, local dos shows, cortou minhas pretensões. O show de Chico havia acabado quando cheguei e já começaria o de Brad Mehldau Trio.

Brad Mehldau Trio aconteceria ao mesmo tempo que a grande atração pop da noite: os alemães do Kraftwerk. Não me foi dada a opção de escolha: da sala de imprensa direto para TIM Stage, onde faríamos fotos da frente do palco e assistiríamos ao começo do show de maneira privilegiada. Bom, não?
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Clique pra ver ampliadas as fotos dos gelados alemungas
Nada disso. O empresário da banda disse que não queria fotos da frente do palco! Se quiséssemos, do fundo, onde estava o PA. Aproximadamente uns 150 metros. Toda a imprensa chiou mas... o jeito foi dar um 'jeitinho' brasileiro para conseguir as fotos. Escondidos.
O Kraftwerk se apresenta de maneira peculiar: parecem não cantar (o que eu aposto), não se mexem, não interagem com o público. Será que é esse o motivo do "nada de fotos"? Um enorme telão, imagens projetadas no palco acompanhando as canções gélidas e é isso. Um enorme CD player tocado sem erro algum. Quatro camaradas de preto, quatro computadores no palco. Brrrr. Pergunte se o público reclamou. Nada. Eles foram aplaudidíssimos.
Confesso que eu me arrepiei um pouquinho com a execução de Trans Europe Express. De volta à adolescencia.

Um amigo, fotógrafo do Terra, me chama avisando que o show da nova banda de Marcelo Yuca, F.U.R.T.O. vai começar. Deixo os alemães para trás e corro em direção ao palco do Tim LAB. Bye Kraftwerk.
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Clique para ver fotos grandes do 1o show do F.U.R.T.O.
E alô, Yuca. O ex-baterista do Rappa fez uma estreia morna em Sampa com sua nova banda. O F.U.R.T.O entrou no palco encontrando pouquíssima gente na platéia. Não foi uma apresentação alegre, talvez não seja mesmo essa a intenção. Uma bandeira do movimento dos sem-terra adornava o palco. Yuca discursou depois de tocar "Ego City" e "Gente de lá". Agradeceu a platéia por "deixar o Kraftwerk de lado pra encontrar a gente aqui". Enfim, foi um pouco soturno o show.

Bem, e por não possuir o dom da onipresença saí correndo em direção ao Tim Club, onde a diva Nancy Wilson se apresentaria em instantes. O que se ouvia por ali é que Nancy havia anunciado que aquela seria sua despedida dos palcos. Como assim? Vê-la no palco tão feliz, com uma voz que ganhava em timbre e beleza no meio daquela banda maravilhosa me fez ficar sem entender e achar que era um grande boato. Aos 67 anos ela deu um show de técnica, feeling e simpatia. Nas primeiras músicas poderíamos fazer fotos. E quem disse que eu consegui fazer alguma quando a ouvi cantando "My Foolish Heart"? Que voz é aquela, meu Deus? E lá foi ela com "Day in Day out", "I wish I'd not you" até o final.
Final que não pude acompanhar: soou a sineta do show dos mexicanos do Kinky. Já ouviram falar? Eu confesso que fiz apenas o dever de casa e li um pouco sobre. Mas sabe como são esses sites de banda e releases. ¬øs vezes não é nada daquilo. Não nesse caso.
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Clique para ver fotos grandes de feijões mexicanos
O show, no mesmo palco onde havia se apresentado o F.U.R.T.O, foi impressionante. Eles entraram, um por vez, num arranjo que permitiu que os músicos fossem percebidos de maneira peculiar pelo público. Uma vez os cinco por ali, incêndio: era só olhar a cara dos fotógrafos. Um show de imagens. Diferentemente do Kraftwerk, sem tecnologia, só cinco músicos talentosíssimos e carismáticos correndo e tocando de um lado para o outro. Rock latino de primeira. Kinky, bom de tocar no rádio, inclusive. Nativos de Monterrey, combinam a clássica percussão latina com scratches de DJ, linhas funky de baixo, samples e muita atitude.
Bom, desse primeiro dia, além desses artistas, lamentei muito não poder conferir o Soulwax no Tim Motomix e o surpreendente set que fizeram usando o repertório do "Any Minute Now". Disseram que foi uma maravilha.
Mas enfim, fui um só nos três dias do Tim Festival. Amanhã, falo um pouco do sábado.
Ah, sim: fui pontual e vi um pouco mais. Maratona.