setembro 20, 2003

ALL RIGHT NOW

PaulRodgers2002.jpg
Paul Rodgers - Atlantic City - abril 2002 Sold Out

- Hello, can I please speak to Paul Rodgers?

Era 1976 e eu estava visitando Londres para matar saudades dos amigos e a minha familia. A mulher de Patrick Moraz havia me dado uma carta no Brasil para ser entregue em mãos para a esposa japonesa do Paul de quem era grande amiga.

Eu tremia na base enquanto telefonava para marcar o eventual encontro. O homem afinal era um dos meus ídolos. A voz dele em disco é inconfundível; áspera, dinâmica, negra, cheia de soul, testosterona e suingue. Na minha cabeça o cara era um gigante, um dos maiores cantores de Rock'n'Roll de todos os tempos.

Junte isso com a guitarra chapante de Paul Kossoff, a bateria pulsante de Simon Kirke e o baixo falante de Andy Fraser e você tem a receita para uma das bandas mais influentes dos anos 60... Free.

- Who's speaking?

A voz do outro lado era fininha, doce e com um leve sotaque dos Midlands. Deve ser algum secretário, mordomo pensei... Expliquei quem eu era e esperei...

- Yes?

- I'd like to speak to Paul Rodgers, please...

- Yes... (a mesma voz fininha ainda retrucava).

- Could I perhaps have a word with him?

- Yes... (Silêncio... será que o cara estava me entendendo?)...

- I'd like to speak to Paul Rodgers, please. Could you ask him to come to the 'phone?

- No I can't...

Acho que eu detectei um riso meio abafado do outro lado da linha...
O cara tá afim de me sacanear, pensei. Deve receber mil telefonemas de fãs e esse cara tá aí para despistar todos os indesejáveis...

- Why not? (Era minha última tentativa...)

- Because I'm Paul Rodgers.

-=-=-=-=-=-

Bom depois desse mico (pago em libras esterlinas ainda por cima), pensei que o cara jamais iria querer me receber mas no ato ele me deu instruções para chegar na casa dele e passamos uma tarde muito agradável na companhia da sua charmosa esposa, Machi, tomando chá, rindo muito e jogando conversa fora.

Agora, toda vez que eu ouço aquela voz rouca em disco eu fico maravilhado. Como é que ele faz esse truque? É um mistério...

-=-=-=-=-=-

PS Hoje à noite, dia 20 de setembro 2003, Paul estará tocando, certamente para uma casa lotada, em Cliff Castle Casino, Stargazer Pavillion Camp Verde, Arizona.

PPS Em '80 eu tive o privilégio de conhecer e gravar durante uma semana com o Simon Kirke (baterista do Free e Bad Company) num disco do Jim Capaldi... mas isso fica para outro post...

Blogado por Ritchie @ setembro 20, 2003 05:36 PM | TrackBack
Comentários

Wow!

Comentado por Enio @ setembro 20, 2003 06:26 PM

ei, padim !

eu acho q a voz era do jampa, tirando uma da sua cara do outro lado da linha !

hahaha

Comentado por RR @ setembro 20, 2003 06:51 PM

Isso é uma falta de respeito (pra ser dito no tom de Rodgers, com os braços abertos e com os dedos indicador e médio da mão esquerda tremendo levemente)!!!

Comentado por Enio @ setembro 20, 2003 06:54 PM

hehehe

a voz do seu jan é fininha mesmo...

hehehe

E esse tal do seu Paulo, amigo do seu Ríti... será que ele tá precisando de faxinêra ? Mas tem que me pagá em real...

Se vié com essa tal de libria estrelinha pra cima de mim eu não limpo nada !

affe.

Comentado por Rose Rosa @ setembro 20, 2003 06:59 PM

antes q eu esqueça:

FREE é FODA !

tocar ALL RIGHT NOW ao vivo, com banda, é um tesão.

e tenho dito.

Comentado por RR @ setembro 20, 2003 07:24 PM

isso é uma falta de respeito!

Comentado por Jean Boechat @ setembro 20, 2003 08:23 PM

Tudo no Free era muito legal, a começar, obviamente, pela voz do Paul Rodgers. Mas o Andy Fraser é, ainda hoje, um dos meus baixistas de roque favoritos (curiosamente, pouquíssimo mencionado sempre que se citam os melhores instrumentistas do gênero). "Baixo falante", Ritchie, é uma ótima expressão para descrever o estilo do cara. Abraços.

Comentado por Ruy @ setembro 21, 2003 12:26 AM

Andy Fraser bebeu fundo na fonte do Jack Bruce com certeza, Ruy. O mais incrível é saber que quando ele gravou o primeiro disco com Free ele tinha apenas 16 anos.

Comentado por Ritchie @ setembro 21, 2003 12:08 PM

Gozado como existem alguns vocalistas ou cantores cuja voz do dia-a-dia se transforma quando eles passam a cantar. Não é o caso do Ritchie, mas na minha cabeça o Axl Rose sempre falaria como se estuvesse no meio de um parto e o Robert Smith falaria sempre com o nariz entupido e meio chorando, só pra citar alguns exemplos...

Além disso tem o paradoxo Legião-Smiths. O Morrisey canta de uma forma totalmente afetada-gay e fala com uma vozona grossa nas entrevistas. E o Renato Russo, o oposto. Sempre com um vozeirão grosso nas músicas e afetadíssimo nas entrevistas...

Comentado por Nishi @ setembro 21, 2003 12:42 PM

cara a banda free no geral é muito louca, uma banda de estilo próprio, curto o som dos caras pra caramba, essa sim é uma banda que toca o verdadeiro rock and roll.....

Comentado por paulo @ março 18, 2004 01:02 PM

cara a banda free no geral é muito louca, uma banda de estilo próprio, curto o som dos caras pra caramba, essa sim é uma banda que toca o verdadeiro rock and roll.....

Comentado por paulo @ março 18, 2004 01:03 PM
Participe!









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